{"id":9935,"date":"2013-06-24T00:00:00","date_gmt":"2013-06-23T22:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/eduso.net\/res\/articulo\/a-educacao-social-em-portugal-evolucao-da-identidade-profissional-2\/"},"modified":"2020-12-28T20:30:15","modified_gmt":"2020-12-28T19:30:15","slug":"a-educacao-social-em-portugal-evolucao-da-identidade-profissional-2","status":"publish","type":"articulo","link":"https:\/\/eduso.net\/res\/revista\/17\/el-tema-revisiones\/a-educacao-social-em-portugal-evolucao-da-identidade-profissional","title":{"rendered":"A Educa\u00e7\u00e3o Social em Portugal: evolu\u00e7\u00e3o da identidade profissional"},"content":{"rendered":"<blockquote dir=\"ltr\" style=\"margin-right: 0px;\">\n<p align=\"right\"><strong><a href=\"http:\/\/www.eduso.net\/res\/pdf\/17\/ascport_res_17.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone\" src=\"\/res\/wp-content\/uploads\/img_res_1al18\/2443.jpg\" alt=\"\" width=\"131\" height=\"27\" align=\"top\" border=\"1\" hspace=\"0\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<h2><strong>Eclos\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o Social em Portugal<br \/>\n<\/strong><\/h2>\n<p>A eclos\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o Social, em Portugal, deveu-se a uma multiplicidade de factores, comuns com os modelos da educa\u00e7\u00e3o social espanh\u00f3is e franc\u00f3fonos. Em primeiro lugar, importa destacar a crescente complexidade do mundo actual, marcada pelas constantes mudan\u00e7as decorrentes de um r\u00e1pido desenvolvimento tecnol\u00f3gico, o que tem levado as sociedades a enfrentar novas realidades, nomeadamente, altera\u00e7\u00f5es nos seus modos de vida e formas de relacionamento. Estas altera\u00e7\u00f5es contribu\u00edram, tamb\u00e9m, para um aumento dos sectores desfavorecidos da sociedade, da marginaliza\u00e7\u00e3o e da exclus\u00e3o social, decorrentes de um amento do desemprego e da crise econ\u00f3mica e social, da precariza\u00e7\u00e3o dos empregos, penaliza\u00e7\u00e3o profissional e social, principalmente dos grupos mais fragilizados. Tudo isto, obrigou o Estado a avaliar o papel das pol\u00edticas sociais, dos profissionais e do tipo de interven\u00e7\u00e3o, de forma a responder a novos problemas sociais. Ali\u00e1s, a complexifica\u00e7\u00e3o das sociedades exigiam uma ruptura com os processos assistenciais da interven\u00e7\u00e3o, baseada no emergencialismo e na caridade e consequente ado\u00e7\u00e3o de novas formas de trabalho social, mais direccionadas para uma vertente pedag\u00f3gico e social, que privilegiassem a promo\u00e7\u00e3o da autonomia e a solidariedade. <\/p>\n<p>Na verdade, em Portugal, desde 1980, que a realidade das pol\u00edticas sociais t\u00eam sido analisadas, <em>\u201cquer sobre (\u2026) sua conceptualiza\u00e7\u00e3o e particularidades, quer ainda explorat\u00f3rias de diversas \u00e1reas e sectores espec\u00edficos da sua materializa\u00e7\u00e3o (sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, habita\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a social, etc\u201d<\/em> (Rodrigues, 1999:18). \u00c9, precisamente, neste momento que se d\u00e1 a rela\u00e7\u00e3o e a interac\u00e7\u00e3o entre Servi\u00e7o Social e a Pedagogia Social\/Educa\u00e7\u00e3o. O Estado procurou novas formas de interven\u00e7\u00e3o, assentes em pol\u00edticas s\u00f3cio-educativas, que criassem ambientes prop\u00edcios ao desenvolvimento das pessoas. Na verdade, a fal\u00eancia das pol\u00edticas sociais levou a um aumento da priva\u00e7\u00e3o dos direitos de cidadania (Veiga e Correia, 2009). A Educa\u00e7\u00e3o Social surgiu, em grande medida, pela consci\u00eancia de que o trabalho social precisava de novas pol\u00edticas educativas, uma vez que o assistencialismo se tornava j\u00e1 redutor (e at\u00e9 contradit\u00f3rio) das necessidades de interven\u00e7\u00e3o social. Tudo isto ocorreu, ainda, num cen\u00e1rio de progressiva valoriza\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos. A Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos do Homem foi, ali\u00e1s, decisiva para a Educa\u00e7\u00e3o Social, pois facilitou o interesse pelos ideais humanit\u00e1rios de igualdade social, justi\u00e7a, solidariedade, fraternidade e hospitalidade. <\/p>\n<p>Um outro factor decisivo para a emerg\u00eancia da Educa\u00e7\u00e3o Social diz respeito \u00e0 mudan\u00e7a do conceito de educa\u00e7\u00e3o: a educa\u00e7\u00e3o deixa de ser um patrim\u00f3nio exclusivo da escola e passa a ter novas fun\u00e7\u00f5es, de dimens\u00e3o mais social. Al\u00e9m da educa\u00e7\u00e3o formal, considera-se a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o formal e informal, isto \u00e9, a educa\u00e7\u00e3o tem uma fun\u00e7\u00e3o permanente e engloba diferentes contextos e popula\u00e7\u00f5es, at\u00e9 as mais marginalizadas. Assistimos, assim, \u00e0 emerg\u00eancia de um paradigma de Aprendizagem ao Longo da Vida, fazendo apelo a novas teorias e modelos de educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o, como a educa\u00e7\u00e3o e a pedagogia social, nas quais se destaca a import\u00e2ncia das aprendizagens realizadas a partir da experi\u00eancia de vida (englobando a esfera pessoal, profissional, social). Na verdade, <em>\u201ceducar \u00e9, em grande parte, levar o educando do \u2018ser\u2019 ao \u2018dever ser\u2019\u201d<\/em> (Guterres, 2001: 3). Deste modo, tornou-se crucial desenvolver novas metodologias de interven\u00e7\u00e3o, como crescimento completo de cada pessoa e \u201cmembro estrat\u00e9gico\u201d de uma sociedade regida pela coopera\u00e7\u00e3o e pela solidariedade, mas tamb\u00e9m pela desigualdade e marginaliza\u00e7\u00e3o social provocadas pelo risco social.<\/p>\n<p>\u00c9, neste contexto, que surge a Educa\u00e7\u00e3o Social em Portugal como uma educa\u00e7\u00e3o para os valores, uma educa\u00e7\u00e3o axiol\u00f3gica, com responsabilidades na forma\u00e7\u00e3o c\u00edvica das pessoas, as quais sup\u00f5em uma diversidade complexa e integrada de aprendizagens. De acordo com Pedro (1997: 13), educar consiste em <em>\u201cinfluenciar o outro, e influenciar o outro implica transmitir valores, dar uma direc\u00e7\u00e3o e um sentido \u00e0 vida convidando \u00e0 ades\u00e3o a uma certa vis\u00e3o do mundo\u201d.<\/em> Na verdade, para se intervir sobre um conjunto de problemas multicausais, devemos reunir um conjunto diversificado de instrumentos de interven\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-educativa. Parafraseando Mialaret (1980: 8), a <em>\u201ceduca\u00e7\u00e3o \u00e9 insepar\u00e1vel da evolu\u00e7\u00e3o social; constituiu uma das for\u00e7as que a determinam\u201d.<\/em> Por este motivo, a aprendizagem cont\u00ednua \u00e9 uma das grandes exig\u00eancias da sociedade actual.<\/p>\n<p><img style=\"width: 292px; height: 219px;\" src=\"\/res\/wp-content\/uploads\/img_res_1al18\/4678.jpg\" alt=\"\u00c1rbol\" align=\"right\" border=\"0\" hspace=\"6\" vspace=\"6\" \/>Educar para o desenvolvimento implica considerar as pessoas, as suas aspira\u00e7\u00f5es, necessidades, os seus projetos de vida. Foi, ali\u00e1s, a partir da ac\u00e7\u00e3o direta com as pessoas e do pressuposto de educabilidade de todos os seres humanos, que permitiu <em>\u201c\u2026 criar um espa\u00e7o profissional com sentido, logo com futuro\u201d <\/em>(Baptista, 2001: 59) \u2013 a Educa\u00e7\u00e3o Social. O direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, enquanto instrumento ao servi\u00e7o do desenvolvimento pessoal e social, justifica por si s\u00f3 a pertin\u00eancia da Educa\u00e7\u00e3o Social (Veiga e Correia, 2009), uma vez que esta profiss\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m um direito de cidadania e um factor decisivo para que a igualdade de oportunidades seja menos uma constru\u00e7\u00e3o te\u00f3rica e mais uma realidade.<strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<h2><strong>\u00c9tica e Deontologia Profissional<br \/>\n<\/strong><\/h2>\n<p>A \u00e9tica e deontologia profissional s\u00e3o eixos estruturantes do perfil de qualquer profiss\u00e3o e o educador social n\u00e3o \u00e9 excep\u00e7\u00e3o, uma vez que s\u00e3o a sua orienta\u00e7\u00e3o e matriz axiol\u00f3gica para um melhor desempenho comportamental da sua profiss\u00e3o. Na realidade, porque visa o desenvolvimento e contato direto com os indiv\u00edduos, a Educa\u00e7\u00e3o Social requer uma forma\u00e7\u00e3o \u00e9tica e deontol\u00f3gica, que determina o perfil profissional dos educadores sociais (Veiga e Correia, 2009). O exerc\u00edcio das suas fun\u00e7\u00f5es sup\u00f5e, sem d\u00favida, a exist\u00eancia de um conjunto de valores e princ\u00edpios \u00e9ticos que constituem uma refer\u00eancia para a pr\u00f3pria identidade do educador social, auxiliando-o nas tomadas de decis\u00e3o profissional nos contextos de interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img style=\"width: 300px; height: 108px;\" src=\"\/res\/wp-content\/uploads\/img_res_1al18\/4676.jpg\" alt=\"Logo de APTSES\" align=\"left\" border=\"0\" hspace=\"6\" vspace=\"6\" \/>Os educadores sociais portugueses regulam-se por um <a href=\"http:\/\/www.aptses.pt\/sites\/default\/files\/pe\/CODIGODEONTOLOGICO.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">C\u00f3digo Deontol\u00f3gico<\/a>, elaborado, inicialmente, em 2001, mas apenas aprovado em maio de 2011, no I Congresso Internacional de Educa\u00e7\u00e3o Social, que decorreu em Viseu. Este c\u00f3digo de \u00e9tica dos educadores sociais foi elaborado em conformidade com os pressupostos que sustentam o estatuto profissional, baseando-se nos seguintes des\u00edgnios: expandir os valores e os deveres da educa\u00e7\u00e3o social, estabelecer um conjunto de crit\u00e9rios, nomeadamente, \u00e9ticos espec\u00edficos que devem ser usados para orientar a pr\u00e1tica do educador social; coadjuvar os educadores sociais na dentifica\u00e7\u00e3o de problem\u00e1ticas s\u00f3cio-pedag\u00f3gicas do seu p\u00fablico, nas suas obriga\u00e7\u00f5es profissionais e na orienta\u00e7\u00e3o de resolu\u00e7\u00e3o de dilemas \u00e9ticos; prover crit\u00e9rios \u00e9ticos que ajudem o senso comum a considerar a identidade profissional do educador social no seu territ\u00f3rio de interven\u00e7\u00e3o; promover a integra\u00e7\u00e3o dos rec\u00e9m-diplomados no campo profissional da educa\u00e7\u00e3o social, da sua miss\u00e3o para os valores, princ\u00edpios e modelos \u00e9ticos; e, por fim, pronunciar prot\u00f3tipos que a educa\u00e7\u00e3o social deve utilizar para avaliar a conduta \u00e9tica da profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>A \u00e9tica e a deontologia obrigam o educador social a recriar as suas pr\u00e1ticas, de acordo com os valores, expectativas e cultura da profiss\u00e3o. Deste modo, obrigam a aplica\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios de respeito e compromisso em rela\u00e7\u00e3o aos sujeitos da interven\u00e7\u00e3o. Assim, a consci\u00eancia \u00e9tica \u00e9 fundamental na pr\u00e1xis profissional dos educadores sociais.<\/p>\n<p>Os educadores sociais portugueses reconhecem que <em>\u201cpara a profiss\u00e3o, a \u00e9tica e a deontologia funcionam (\u2026) como refer\u00eancia externa, ajudando a promover uma imagem p\u00fablica valorizada, ancorada numa cultura de justi\u00e7a e de responsabilidade\u201d<\/em> (Carvalho e Baptista, 2004: 98). Assim, a \u00e9tica e a deontologia refor\u00e7am a identidade do educador social, ajudando-o a demarcar-se de outras profiss\u00f5es e profissionais.<\/p>\n<h2><strong>Evolu\u00e7\u00e3o da identidade profissional dos educadores sociais portugueses<br \/>\n<\/strong><\/h2>\n<p>Em Portugal, a Educa\u00e7\u00e3o Social, embora n\u00e3o seja uma profiss\u00e3o recente, est\u00e1 ainda em processo de profissionaliza\u00e7\u00e3o e afirma\u00e7\u00e3o da sua identidade profissional. Os educadores sociais encontram, ainda, muitas dificuldades na integra\u00e7\u00e3o profissional e interventiva, n\u00e3o por falta de territ\u00f3rios interventivos ou compet\u00eancias, mas sobretudo pela confus\u00e3o existente, quer pelas designa\u00e7\u00f5es que foi assumindo, quer pela aproxima\u00e7\u00e3o com outras profiss\u00f5es da \u00e1rea social.<\/p>\n<p>Foram as d\u00e9cadas de setenta e oitenta que marcaram o in\u00edcio e desenvolvimento da investiga\u00e7\u00e3o em ci\u00eancias da educa\u00e7\u00e3o, em Portugal. Foi nesta altura, que o curso de educa\u00e7\u00e3o social se desenvolveu, inicialmente enquanto curso t\u00e9cnico-profissional (de n\u00edvel III), com equival\u00eancia ao 12.\u00ba ano de escolaridade. Posteriormente, surgiram os primeiros bacharelatos em educa\u00e7\u00e3o social, com dura\u00e7\u00e3o de tr\u00eas anos, de n\u00edvel II. Nesta altura, fortificou-se a import\u00e2ncia desta metodologia de interven\u00e7\u00e3o a n\u00edvel das ci\u00eancias sociais e da educa\u00e7\u00e3o. Contudo, o primeiro diploma em Educa\u00e7\u00e3o Social de n\u00edvel I, em Portugal, s\u00f3 foi aprovado em 1996, na Universidade Portucalense. Este foi um marco decisivo para a educa\u00e7\u00e3o social, pois, at\u00e9 ent\u00e3o, o educador social era entendido como um mero executor de actividades l\u00fadicas, n\u00e3o tendo qualquer papel nas tomadas de decis\u00e3o da interven\u00e7\u00e3o. Esta evolu\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o permitiu que os educadores sociais passassem a ser vistos como profissionais de interven\u00e7\u00e3o e investiga\u00e7\u00e3o psicossocial e n\u00e3o s\u00f3 como animadores sociais e culturais. A forma\u00e7\u00e3o superior permitiu, ainda, uma melhor prepara\u00e7\u00e3o dos profissionais, sobretudo devido aos est\u00e1gios curriculares, que facilitaram a articula\u00e7\u00e3o teoria-pr\u00e1tica, novos campos de educa\u00e7\u00e3o social, novos projectos s\u00f3cio-pedag\u00f3gicos, concebidos localmente.<\/p>\n<p><img style=\"width: 92px; height: 107px;\" src=\"\/res\/wp-content\/uploads\/img_res_1al18\/4683.jpg\" alt=\"Tres vuelos\" align=\"left\" border=\"0\" hspace=\"6\" vspace=\"7\" \/>Apesar de j\u00e1 n\u00e3o existir a forma\u00e7\u00e3o de n\u00edvel II e III em Portugal, devido ao Tratado de Bolonha (que trouxe uma certa uniformiza\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o dos educadores sociais), \u00e9 importante acrescentar que ainda existem profissionais da educa\u00e7\u00e3o social a desenvolverem em institui\u00e7\u00f5es este tipo de n\u00edveis. Por este motivo, muitos educadores sociais, sobretudo com forma\u00e7\u00e3o de n\u00edvel I, consideram que a sua profiss\u00e3o foi conduzida a um errado e injusto enquadramento profissional, o que dificulta, ainda, o reconhecimento laboral.<\/p>\n<p>Todavia, al\u00e9m da coexist\u00eancia de tr\u00eas n\u00edveis de forma\u00e7\u00e3o em educa\u00e7\u00e3o social num curto espa\u00e7o de tempo (com diferentes objectivos, graus de forma\u00e7\u00e3o e n\u00edveis de atua\u00e7\u00e3o), assiste-se, ainda, entre as forma\u00e7\u00f5es de n\u00edvel I, a diferentes designa\u00e7\u00f5es da educa\u00e7\u00e3o social, tais como Educa\u00e7\u00e3o Social Gerontol\u00f3gica, Educa\u00e7\u00e3o S\u00f3cio-Comunit\u00e1ria ou S\u00f3cio-Profissional. A exist\u00eancia de diferentes designa\u00e7\u00f5es, baseadas em diferentes conte\u00fados disciplinares gera, ainda, uma diversidade de perfis profissionais e compet\u00eancias, o que n\u00e3o facilita a afirma\u00e7\u00e3o da identidade profissional dos educadores sociais portugueses.<\/p>\n<p>Por outro lado, a identidade profissional dos educadores sociais \u00e9, ainda, dificultada pela aproxima\u00e7\u00e3o ao trabalho social. Os educadores sociais atuam em contextos sociais e, por isso, s\u00e3o trabalhadores sociais. Por isso, aproximam-se de outros profissionais da \u00e1rea social, como os assistentes sociais, na medida em que t\u00eam como refer\u00eancia as mesmas caracter\u00edsticas da interven\u00e7\u00e3o, nomeadamente a proximidade aos contextos e aos destinat\u00e1rios. Contudo, o trabalho dos educadores sociais \u00e9 concebido a partir de uma perspectiva educativa, transformadora e emancipat\u00f3ria, que pretende superar logicas assistencialistas e baseia-se na centralidade das pessoas, na sua capacita\u00e7\u00e3o e desenvolvimento. Pretende-se que os indiv\u00edduos possam protagonizar, a partir dos seus saberes o seu desenvolvimento mediante uma participa\u00e7\u00e3o consciencializadora. O modelo de educa\u00e7\u00e3o social portugu\u00eas privilegia, ali\u00e1s, a participa\u00e7\u00e3o como eixo central do trabalho s\u00f3cio-educativo.<\/p>\n<p>No nosso pa\u00eds, a educa\u00e7\u00e3o social cada vez mais se integra como uma das \u00e1reas no campo do trabalho social, envolvendo uma s\u00e9rie de especialidades e campos de interven\u00e7\u00e3o. Contudo, devido \u00e0 falta de informa\u00e7\u00e3o na pr\u00e1tica profissional, confundem-se os pap\u00e9is pela falta de conhecimento da fun\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-educativa, espec\u00edfica dos educadores sociais. O educador social portugu\u00eas, em conson\u00e2ncia com o educador social espanhol, actua no campo da interven\u00e7\u00e3o social atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o, deixando a responsabilidade da protec\u00e7\u00e3o social, a an\u00e1lise sistem\u00e1tica da realidade, a recolha de dados e de informa\u00e7\u00f5es que subsidiam a pr\u00f3pria interven\u00e7\u00e3o do educador social ao servi\u00e7o social. Torna-se evidente a interdisciplinaridade do trabalho social, onde em equipa, com profissionais de diferentes \u00e1reas, se viabilizam planos, programas, projectos de implementa\u00e7\u00e3o, acompanhamento e avalia\u00e7\u00e3o em tecido social e de educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o formal.<\/p>\n<p>Contudo, por atuarem com fun\u00e7\u00f5es educativas e pedag\u00f3gicas, aproximam-se, ainda, de outros profissionais, nomeadamente com aqueles da educa\u00e7\u00e3o formal (com o mesmo saber profissional de refer\u00eancia: o saber pedag\u00f3gico). Assim, esta similitude com diferentes \u00e1reas profissionais faz com que a identidade profissional dos educadores sociais se construa num duplo movimento de demarca\u00e7\u00e3o e aproxima\u00e7\u00e3o e numa desordem de compet\u00eancias. O reconhecimento profissional dos educadores sociais portugueses sofre, assim, de uma certa vulnerabilidade, de tal forma que alguns autores designam a Educa\u00e7\u00e3o Social de \u201cprofiss\u00e3o hibrida\u201d (Baptista, 2000), sobretudo quando comparado com outros t\u00e9cnicos cuja profiss\u00e3o est\u00e1 mais consolidada e aceite no universo da ac\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>A Educa\u00e7\u00e3o Social em Portugal sofre, igualmente, da aus\u00eancia de uma cultura profissional, que reforce a credibilidade externa da profiss\u00e3o e os la\u00e7os de colegialidade entre os seus profissionais. Os educadores sociais portugueses n\u00e3o s\u00e3o ainda um colectivo profissional coeso, o que dificulta as lutas de afirma\u00e7\u00e3o da identidade profissional.<\/p>\n<h2><strong>Centralidade da Pedagogia Social na afirma\u00e7\u00e3o da identidade profissional<\/strong><\/h2>\n<p>A Educa\u00e7\u00e3o Social evoluiu, como vimos, por aproxima\u00e7\u00e3o ao trabalho social e \u00e0s ci\u00eancias sociais, mas tamb\u00e9m por refer\u00eancia a um saber epistemologicamente indexado \u00e0s ci\u00eancias da educa\u00e7\u00e3o: a Pedagogia Social. Esta dualidade de refer\u00eancias gera uma certa dificuldade de afirma\u00e7\u00e3o da sua identidade profissional. No entanto, a Associa\u00e7\u00e3o dos Profissionais T\u00e9cnicos Superiores de Educa\u00e7\u00e3o Social (APTSES), enquanto associa\u00e7\u00e3o profissional, est\u00e1 convicta que a Pedagogia Social desempenhar\u00e1 um papel fulcral na afirma\u00e7\u00e3o da identidade profissional dos educadores sociais portugueses.<\/p>\n<p>A Pedagogia Social \u00e9 mais do que uma estrat\u00e9gia ou disciplina: \u00e9 o saber matricial dos educadores sociais. \u00c9 a Pedagogia Social que fundamenta as pr\u00e1ticas profissionais dos educadores sociais, dando-lhes conhecimentos, metodologias e t\u00e9cnicas que lhes permitam atuar pedagogicamente, promovendo as condi\u00e7\u00f5es de educabilidade de todos os indiv\u00edduos, atrav\u00e9s de uma rela\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica de respeito pelo outro, pelas suas condi\u00e7\u00f5es de vida, interesses e aspira\u00e7\u00f5es. \u00c9, ali\u00e1s, este compromisso educativo que d\u00e1 uma nova dimens\u00e3o ao trabalho social e confere especificidade ao educador social, distinguindo-o de outros profissionais da \u00e1rea social. Por este motivo, a Pedagogia Social ocupa um lugar privilegiado na constru\u00e7\u00e3o de instrumentos conceptuais necess\u00e1rios para compreender e acompanhar as traject\u00f3rias de vida dos indiv\u00edduos, considerados protagonistas da interven\u00e7\u00e3o. \u00c9, no entanto, um ethos profissional que precisa de ser mais valorizado, mais (re)conhecido.<\/p>\n<p><img style=\"width: 292px; height: 276px;\" src=\"\/res\/wp-content\/uploads\/img_res_1al18\/4679.jpg\" alt=\"Manos\" align=\"right\" border=\"0\" hspace=\"6\" vspace=\"6\" \/>Ser educador social \u00e9 questionar pr\u00e1ticas e reflectir sobre o seu pr\u00f3prio papel profissional, ser capaz de se aproximar do seu educando e de lhe conferir um destaque legitimo na constru\u00e7\u00e3o do seu percurso de vida, valorizando as suas capacidades de aprender a ser, fazer e estar com os outros e valorizando as suas capacidades de aprender a aprender, o seu repert\u00f3rio de experi\u00eancias (Azevedo, 2011). Cabe ao Educador Social ajudar o educando a interpretar o mundo e a desenvolver formas de relacionamento com outros, assente em princ\u00edpios de entendimento e respeito pela diferen\u00e7a que caracteriza a individualidade e unicidade inerente \u00e0 vida. Este profissional emerge assim pelo seu cariz de profissional da rela\u00e7\u00e3o, trabalhando em territ\u00f3rios de contacto e proximidade, ajudando a esbo\u00e7ar uma proximidade humana, feita de la\u00e7os humanos e comunit\u00e1rios.<\/p>\n<p>A identidade do Educador \u00e9 marcada pela sua polival\u00eancia t\u00e9cnica, pela pluralidade de fun\u00e7\u00f5es e pela diversidade de contextos de trabalho, tornando-se assim num espa\u00e7o t\u00e3o abrangente, carecendo de uma defini\u00e7\u00e3o criteriosa. O Educador Social, com forma\u00e7\u00e3o superior, interv\u00eam pedagogicamente perante indiv\u00edduos, grupos ou comunidades, crian\u00e7as, jovens, adultos ou idosos e numa perspectiva de preven\u00e7\u00e3o e reabilita\u00e7\u00e3o dos problemas sociais, actuando em tecidos sociais fragilizados. A rela\u00e7\u00e3o que mant\u00e9m com os outros \u00e9 uma <em>\u201crela\u00e7\u00e3o interpessoal onde o outro se apresenta como transcend\u00eancia \u00e9tica\u201d<\/em> (Baptista,1998: 107-108). No entanto, se por um lado a polival\u00eancia t\u00e9cnica poder\u00e1 facilitar a empregabilidade, por outro lado dificulta, de certa forma, a constru\u00e7\u00e3o de um conceito profissional facilmente delimit\u00e1vel.<\/p>\n<p>A isto acresce, no nosso pa\u00eds, a insuficiente investiga\u00e7\u00e3o significativa nesta \u00e1rea, a qual \u00e9 indispens\u00e1vel para o reconhecimento profissional. Os educadores sociais t\u00eam de ser capazes de criar conhecimento, de forma a dar a conhecer as suas compet\u00eancias e trabalho educativo, ainda pouco valorizado quando comparado com o trabalho social.<\/p>\n<p><img style=\"width: 92px; height: 115px;\" src=\"\/res\/wp-content\/uploads\/img_res_1al18\/4684.jpg\" alt=\"S\u00edlvia Azevedo\" align=\"left\" border=\"0\" hspace=\"6\" vspace=\"6\" \/>Terminamos, contudo, com uma certeza: em Portugal, a pertin\u00eancia da Educa\u00e7\u00e3o Social acentua-se cada vez mais, o que se poder\u00e1 justificar pela forma\u00e7\u00e3o de n\u00edvel superior, com um aumento do n\u00famero de institui\u00e7\u00f5es do ensino a apostar nos diplomas em Educa\u00e7\u00e3o Social, o que corresponde \u00e0s necessidades da sociedade, bem como pela crescente procura de educadores sociais pelo mercado de trabalho. Na verdade, os educadores sociais t\u00eam sido integrados em novas pol\u00edticas sociais e educativas, novos contextos de interven\u00e7\u00e3o, novas fun\u00e7\u00f5es. As mat\u00e9rias que definem a educa\u00e7\u00e3o social s\u00e3o de car\u00e1cter interdisciplinar, (inter)cultural e (inter)estrutural e exigem que se re\u00fanam diferentes estrat\u00e9gias e m\u00e9todos de interven\u00e7\u00e3o da pedagogia social, que d\u00eaem respostas a problemas quotidianos da vida real, fazendo-se como eco da compreens\u00e3o das diferentes culturas que comp\u00f5em o mosaico social.<\/p>\n<p><img style=\"width: 92px; height: 126px;\" src=\"\/res\/wp-content\/uploads\/img_res_1al18\/4685.jpg\" alt=\"F\u00e1tima Correia\" align=\"right\" border=\"0\" hspace=\"6\" vspace=\"6\" \/><\/p>\n<p>O papel do educador social tem vindo a ser constru\u00eddo ao longo dos tempos. A Educa\u00e7\u00e3o Social \u00e9, actualmente, uma profiss\u00e3o amadurecida, na qual, cada vez mais, se elogia o papel do educador social, para o que muito contribuiu a pr\u00e1xis dos pr\u00f3prios profissionais que no seu dia-a-dia, no quotidiano das suas institui\u00e7\u00f5es e projectos sociopedag\u00f3gicos, v\u00e3o mostrando a pertin\u00eancia do seu papel, desbravando novos espa\u00e7os de afirma\u00e7\u00e3o da identidade profissional. \u00c9 no terreno que os profissionais da educa\u00e7\u00e3o social v\u00e3o acompanhando os processos de reconfigura\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Os educadores sociais s\u00e3o hoje uma profiss\u00e3o com relev\u00e2ncia social pelas fun\u00e7\u00f5es que exercem, concretamente em Portugal. Possuem um saber aut\u00f3nomo que est\u00e1 subordinado ao saber matriz da pedagogia social e como o universo antropol\u00f3gico, epistemol\u00f3gico e axiol\u00f3gico de refer\u00eancia de toda a sua pr\u00e1tica profissional.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":0,"template":"","palabra_clave":[1150,57,186,1152,1119,169,1151],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v16.7 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/eduso.net\/res\/revista\/17\/el-tema-revisiones\/a-educacao-social-em-portugal-evolucao-da-identidade-profissional\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"es_ES\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"A Educa\u00e7\u00e3o Social em Portugal: evolu\u00e7\u00e3o da identidade profissional - RES. 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